terça-feira, 7 de junho de 2011

Entrevista com Jovens Mães


Entrevista realizada no mês de maio de 2011 com 10 adolescentes de duas escolas públicas de São Leopoldo, sendo que sete foram ex alunas da escola e moram nas proximidades da mesma e três encontram-se estudando.

PERGUNTAS:
1)Qual a idade que você engravidou?
2)Qual foi a sua primeira reação quando descobriu que estava grávida?
3)Qual foi a reação da família com a notícia da gravidez?
4)Qual a idade do pai da criança?
5)Hoje esse relacionamento persiste?
6)O que mudou em sua vida com a gravidez?
7)Quais são os planos para o futuro?

RESPOSTAS SOBRE A ENTREVISTA:
1)As entrevistadas engravidaram entre 11 e 15 anos.
2)Todas responderam que não acreditaram quando pegaram o resultado do exame e achavam que jamais iria acontecer isso com elas. Algumas pensaram em abortar, mas mudaram de ideia.
3)No inicio os país ficaram um pouco assustados, mais aceitaram.
4)Os pais tem idade entre 16 e 22 anos.
5)Das dez meninas entrevistadas somente um relacionamento ainda persiste a uma adolescente de 15 anos, eles não estão morando juntos mais continuam namorando.
6)Duas adolescentes citaram que apenas adiaram alguns planos, três que sentem muita falta dos amigos e de passear, duas se pudessem voltar atrás, jamais engravidariam e três ainda estão na expectativa de conhecer o bebê.
7)Sete das entrevistadas desejam construir uma família, uma quer voltar a estudar e duas acreditam que precisam de um tempo para recomeçar tudo novamente.

Através da realização da pesquisa que envolve o tema “Gravidez na Adolescência,” pode-se constatar que aproximadamente 90% das adolescentes entrevistadas não permaneceram com seus parceiros, levando-nos a conclusão que as mesmas criam seus filhos sozinhas. Com relação à família dessas adolescentes, percebe-se uma certa normalidade no que se refere à aceitação da gravidez, como se tal fato fosse uma “constante”. Meninas engravidarem na adolescência, para essas famílias, é um fato comum, assim como ver suas filhas tendo seus sonhos frustrados, eliminando qualquer possibilidade de um futuro melhor. Isto porque não há qualquer forma de planejamento familiar e especialmente por se tratar de jovens da periferia, dificilmente conseguirão romper com o ciclo natural dos fatos que são ter o primeiro bebê, abandonar a escola, pensar em meios imediatos para supri-los....Pode-se constatar também que, pouquíssimos são as jovens que retornam a escola e que dão seguimento em seus projetos de vida. Quatro das meninas entrevistadas, acabaram optando por abandonar os estudos por não conseguir conciliar trabalho, escola e maternidade.
Com a pesquisa também ficou visível a carência da figura paterna na vida desses recém-nascidos. Alguns, por sinal, possuem em suas certidões apenas o nome das mães. Umas das entrevistadas relatou que preferiu registrar o bebê sozinha por se tratar o pai de um perigoso traficante, situação em que deixou a jovem mãe com medo de represálias. Durante o desenrolar das entrevistas ficou evidenciada a frustração nas palavras dessas jovens. Além de verem seus sonhos ceifados como já relatado anteriormente, parecem não ter mais perspectiva de vida. Há uma tristeza em seus semblantes e o que é pior, como a maioria são frutos de famílias desestruturadas, essas mocinhas caem num conformismo quase que fatal e lidam com uma tristeza em seus semblantes e o que é pior, elas caem num conformismo quase que fatal e lideram uma triste estatística que leva em alto nível o número de gestante pobres, carentes e que criam sozinhas seus filhos já no período da adolescência.

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